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Malas Artes - Obras de Mário Cordeiro

31.05.25 - 15.03.26

Mário Cordeiro foi escritor, poeta, ilustrador, pintor, encadernador e não só. Nasceu em 1950 na Aldeia de Santa Margarida, em Constância, e viveu em Abrantes desde 1952. Em 1971, no auge de uma juventude promissora sobretudo do ponto de vista literário, refugiou-se em Bruxelas na sequência de divergências com o regime salazarista, tendo-se mudado para Paris no ano seguinte. Já na capital francesa terá frequentado os cursos de Belas Artes, na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts e Sociologia, no Centre Universitaire de Vincennes, tendo obtido uma bolsa de estudo da Entraide Universitaire Française em 1973. Durante este período viajou também com regularidade a Madrid, tendo regressado a Abrantes no verão de 1974, no rescaldo da revolução dos cravos.

Ao longo da sua vida publicou e ilustrou textos para os jornais O Círculo, Diário de Lisboa, República e Jornal de Letras, entre outros. Foi distinguido, premiado e incluído em antologias poéticas. Foi autor dos livros Mãos para dedos (EICA, Abrantes, 1969) e A Nau elétrica (Ulmeiro, Lisboa, 1984), bem como do catálogo C’est triste la vie de l’artiste (Galeria Municipal de Abrantes, 2002); expôs as suas obras em Portugal (em diversas cidades) e em França (Lannion, 1984), que continuou a visitar nos 10 anos seguintes ao seu regresso. Mário Cordeiro deixou-nos em 2016, debilitado física e psicologicamente, acusando a dificuldade de ser artista num meio pequeno.

Numa autobiografia sua escrita em 2010, refere — no contexto de uma exposição que organizou em 1982 no Convento de São Domingos, intitulada Pintura Abrantina — ter tido como objetivo “sensibilizar as pessoas influentes da cidade para a utilidade de uma sala de exposições permanentes, onde estivesse devidamente definida a história de arte local”. Ora não poderia haver mais sublime exemplo do seu visionarismo, que o facto de podermos hoje fruir uma parte significativa da sua obra nesse mesmo convento, entretanto transmutado com sagacidade em MIAA – Museu Ibérico de Arqueologia e Arte.

Trate-se ou não de uma coincidência, é sem qualquer dúvida uma significativa aproximação ao espaço de exposição permanente que o Mário conjeturou. E é também um facto que aumenta inadvertidamente a responsabilidade e, certamente, também o prazer, patente na tarefa de revelar a obra de uma vida — um corpo de trabalho extenso, único, com momentos de grande sofisticação e com muitíssimas ramificações — sobre a qual, qualquer leitura será sempre parcial, na medida da sua riqueza e diversidade.

Para terminar, atendendo ainda ao facto de não termos tido a oportunidade de conhecer o Mário pessoalmente, resolvemos estender esta homenagem a várias figuras e personalidades que com ele privaram, lhe foram próximas e caras, solicitando para o efeito breves depoimentos, que foram elaborados ao longo das últimas semanas. A todos estes amigos e amigas o nosso obrigado.

Sara & André


Artista
Mário Cordeiro

Curadoria
Sara & André

Arquivo de exposições

Exposições realizadas no MIAA - Museu Ibérico de Arqueologia e Arte:

2021

  • - Objetos Específicos – Parte 1 - Coleção Figueiredo Ribeiro - Curadoria: Ana Anacleto e João Silvério - 08.12.21 a 28.08.22
  • - Memórias Futuras - Coleção de Arte Contemporânea do Estado - Curadoria: David Santos, Manuel João Vieira, Sandra Vieira Jürgens, Sara & André e Comissão de Aquisição de Arte Contemporânea do Estado 2019/20 - 08.12.21 a 03.04.22

2022

  • - Contra-Parede - Ana Vidigal, Nuno Nunes-Ferreira e Pedro Gomes - Curadoria: Hugo Dinis - 23.04.22 a 25.09.22
  • - Da Vinci Simulacrum - Margarida Sardinha - Curadoria: Hugo Dinis - 23.04.22 a 25.09.22
  • - O que fazer? - Martim Brion - Curadoria: João Silvério - 17.09.22 a 12.02.23
  • - Dois Cafés - Luís Paulo Costa - Curadoria: Sara Antónia Matos - 17.09.22 a 12.02.23
  • - Rio - Mestre José Pimenta - Curadoria: Sara & André - 08.10.22 a 26.02.23
  • - As minhas arqueologias - Heitor Figueiredo - Curadoria: Hugo Dinis - 08.10.22 a 26.02.23

2023

2024

2025

  • - Da dobra que chama e traz - Coleção Figueiredo Ribeiro - Curadoria: Catarina Mel e Ricardo Escarduça - 15.02.25 a 29.06.25
  • - Malas Artes - Mário Cordeiro - Curadoria: Sara & André - 31.05.25 a 15.03.26

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Horário de Funcionamento

Terça-feira a domingo das 10:00 - 12:30 e 14:00 - 17:30. Encerra à segunda-feira e feriados (exceto 14 de junho). Última entrada 30 minutos antes do encerramento.

Visitas Orientadas e Serviços Educativos.(marcação prévia com antecedência mínima de 15 dias para museusdeabrantes@cm-abrantes.pt)

Preçário

Morada

Jardim da República, 25, 2200-343 Abrantes.
Coordenadas GPS: 39º27’38.6’’N / 8º11’50.7’’W

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